V4 Company
23 de junho de 2026
Em uma declaração que ecoou por toda a comunidade de marketing, John Mueller, uma das vozes mais conhecidas do Google, afirmou que a inteligência artificial não vai acabar com a necessidade de SEO. Durante o podcast Search Off The Record, Jhon foi perguntado:
“Com IA generativa e IA de chatbot acontecendo. Você acha que ainda vale a pena aprender esse tipo de coisa? Ou posso simplesmente digitar um prompt e ele resolverá as coisas para mim?”
Ele respondeu:
“É absolutamente valioso aprender essas coisas e criar um bom site. Acho que há muitas coisas que todos esses chatbots e outras formas de obter informações não substituem um site, especialmente para pesquisa local e e-commerce
Ter um site é a base para ser visível em todos esses sistemas, e para muitas outras coisas em que você oferece um serviço ou algo assim, algum outro tipo de funcionalidade em um site onde você tem produtos para vender, onde você tem assinaturas ou qualquer coisa, uma resposta de chat não pode substituir isso.”
Confira o trecho na íntegra (a partir do minuto 26):
A mensagem parece tranquilizadora: enquanto houver sites, haverá a necessidade de otimizá-los. Mas, na prática, a realidade que donos de sites, jornais e lojas online estão vivendo conta uma história bem diferente. Com a chegada das AI Overviews — os resumos gerados por IA que aparecem no topo das buscas — o tráfego orgânico está em queda livre para muitos.
Afinal, a declaração do Google é um fato ou uma cortina de fumaça para a maior transformação da busca que já vimos? Vamos analisar os dados e entender o que realmente está em jogo.
A posição oficial do Google é simples: a IA precisa de conteúdo, e esse conteúdo vem dos sites que os profissionais de SEO otimizam. Mueller argumenta que, especialmente para o e-commerce e negócios locais, uma “resposta de chat não pode substituir” um site. Parece lógico. No entanto, os números mostram um quadro preocupante.
Um estudo da Ahrefs, uma das maiores ferramentas de SEO do mundo, analisou 300 mil palavras-chave e descobriu que a presença de uma AI Overview reduz os cliques no primeiro resultado orgânico em uma média de 34,5%. No Brasil, a agência Conversion encontrou quedas semelhantes, com portais como o UOL perdendo até 35,42% dos cliques.
O motivo é o crescimento das “buscas de clique zero”. A IA responde à pergunta do usuário diretamente na página de resultados, eliminando a necessidade de visitar qualquer site. Para muitos veículos de mídia e criadores de conteúdo, o impacto foi devastador, com quedas de tráfego que chegam a 70% e 90%. A situação é tão grave que a News Media Alliance, uma associação de jornais, classificou a prática do Google como “a definição de roubo”, levando a queixas formais na União Europeia.
Confrontado com esses dados, o Google apresentou uma nova narrativa: os poucos cliques que sobram são de “maior qualidade”. A ideia é que a IA filtra os usuários curiosos, e quem clica já está mais decidido a comprar ou se aprofundar no assunto.
E há uma lógica por trás disso. Um estudo mostrou que visitantes vindos da busca por IA convertem 23 vezes mais. O problema? Esses super visitantes representam apenas 0,5% do tráfego total do site. É como trocar uma multidão por um pequeno grupo de compradores VIP. Pode ser bom para alguns, mas para quem depende de volume para vender anúncios, é uma ameaça existencial.
A mudança não afeta todo mundo da mesma forma. Cada setor enfrenta uma batalha diferente:
Se o SEO tradicional está cambaleando, um novo tipo de otimização está nascendo. O foco mudou: o objetivo não é mais apenas classificar em primeiro lugar, mas ser citado pela IA. Isso exige uma fusão do SEO com estratégia de marca e relações públicas.
Como se adaptar na prática?
As regras do jogo mudaram. Vencer nesta nova era da busca por IA exige uma estratégia robusta e orientada a dados, que vá além do óbvio. Se o seu objetivo não é apenas sobreviver, mas dominar o seu mercado e vender mais, você precisa de um parceiro que entenda profundamente essa nova realidade.
Voltando à pergunta inicial: John Mueller estava certo? Sim, mas com um grande asterisco. A necessidade de otimização é mais crítica do que nunca. No entanto, a prática do SEO foi completamente transformada.
Deixou de ser uma disciplina técnica focada em manipular rankings para se tornar uma função estratégica, no coração da construção de marca e da gestão de reputação. As empresas que não se adaptarem correm o risco de se tornarem invisíveis, com sua narrativa definida pela IA com base no conteúdo de seus concorrentes.
O futuro não é sobre “enganar” o algoritmo. É sobre se tornar a fonte de informação mais confiável, útil e autoritária do seu setor. Quem entender isso não apenas sobreviverá à era da IA, mas prosperará nela.